quarta-feira

Fabbricando VI

Nota Biográfica de José Lima, o tradutor de Fabbrica, de Ascanio Celestini:
«Dos vários livros que traduzi, há alguns que gosto de destacar – pelo prazer que me deram, pelo desafio que representaram e, sempre, pelo gosto pelos autores que escolhi ou me calharam em sorte: os livros de Susan Sontag, em especial O Amante do Vulcão; dois livros de J.D. Salinger (Nove Contos e À Espera no Centeio); Uma Vida Violenta de Pasolini; os livros de Erri de Luca, em especial Três Cavalos; e outros de outros autores que, de forma menos continuada, me tem vindo parar às mãos: Paul Auster (Mr Vertigo), Hemingway (Verdade ao Amanhecer), Bruce Chatwin (Os Gémeos de Black Hill), Jonathan Raban (Terra Madrasta), Richard Zimler (O Último Cabalista de Lisboa), Antonio Tabucchi (Afirma Pereira). Sem esquecer duas traduções, de autores menos conhecidos, duas pequenas pérolas, que só por si seriam uma boa razão para se continuar a ler livros: O Segredo de Joe Gould, de Joseph Mitchell e Os Náufragos do Batávia, de Simon Leys.
De resto, uma colaboração regular na revista Ficções, dirigida por Luísa Costa Gomes, levou-me a traduzir (e às vezes a descobrir) alguns dos autores de que hoje mais gosto: Cesare Pavese, Italo Calvino, John Cheever, Heinrich Böll, Ingeborg Bachmann, Graham Greene, Georges Pérec, Scott Fitzgerald, entre outros. Já agora, aproveito para falar numa revistinha de poesia (quase clandestina, de tão discreta), DiVersos, onde colaborei com algumas traduções de poesias de Jacques Prévert, Ingeborg Bachmann, Charles Simic, Antonio Machado, entre outros.

A minha experiência de tradução de textos teatrais é relativamente curta (Orgia de Pasolini, para o Teatro Nacional D. Maria II; Uma Laranja Mecânica, para Manuel Wiborg; Fábrica e Rádio Clandestina de Ascanio Celestini, além da colaboração em Animais Domésticos de Letizia Russo, para os Artistas Unidos). Estas incursões representaram um desafio particular, sobretudo – quando incluíam a minha participação nas leituras iniciais dos actores – pela descoberta das diferenças, por vezes subtis, entre a palavra lida e a palavra dita. Dessa colaboração surgiram algumas propostas, sugestões e emendas, que seguramente valorizaram muito aquelas traduções e as tornaram de facto numa obra colectiva.»

O texto Fabbrica (Fábrica), de Ascanio Celestini, foi traduzido por José Lima no contexto do Atelier Européen de Traduction de 2004, inserido no XX Festival de Almada. Fabbrica foi apresentado no mesmo ano, a 10 de Julho, no Teatro Taborda, inserido na mesma edição do Festival.