terça-feira

O Tesouro

O Teatro Orgânico, o grupo gémeo da Vigilâmbulo Caolho, mas mandado às crianças, estreou O Tesouro, de Manuel António Pina, integrado nas comemorações do 32º aniversário do 25 de Abril

Autor: Manuel António Pina Encenação: Julio Mesquita Adaptação: Pedro Manuel Interpretação: João Fernandes, Jorge Pedro, Júlio Mesquita (narração), Luís Ramos, Pedro Manuel, Sara Santinho, Tânia Alves, Vanda Robalo Figurinos: M. Perry Cenografia: Colectiva Luminotecnia e Sonoplastia: Luís Mota, Vítor Graça Produção: CMB, AMAC, Teatro Orgânico 22 e 23 de Abril, Auditório Municipal Augusto Cabrita

Há muitos anos, no tempo em que o teu pai andava na escola, num país muito distante, vivia uma povo muito infeliz e solitário, vergado sobre o peso de uma misteriosa tristeza. O céu era alto e azul, os campos férteis, o mar e osrios cheios de peixe e de vida, as cidades quentes e luminosas, ams as pessoas que passavam entreolhavam-se com olhos tristes, caminhando apressadamente e sumindo-se dentro das casas; e quando se encontravam umas com as outras, nos cafés, nos empregos, na rua, falavam baixo, como se lgum segredo terrível as amedrontasse. (...) O povo deste país teve um dia um imenso e belo tesouro e alguém o roubou. E é um tesouro tão valioso que sem ele não podem ser felizes.


Até que um dia chegou em que, no País das Pessoas Tristes, as pesoas decidiram reconquistar o seu tesouro. Os soldados reuniram-se nos seus quartéis e pegaram nas suas armas para arrancar finalmente o tesouro das mãos do ladrões. Os corações exultaram de alegria e as janelas encheram-se de bandeiras e de cravos vermelhos (...) as portas das cadeias abriram-se e os presos voltaram a casa; os jovens vieram da guerra, felizes por estarem de novo rodeados dos amigos e abraçar os pais e os irmãos; e os meninos e as meninas puderam pela primeira vez dar as mãos e falar e olhar-se, caminhando lado a lado sem medo de acusações e castigos.


O tesouro pertence-te a ti/ és tu quem agora tem de cuidar dele/ guardando-o muito bem no fundo do teu coração/ para que ninguém to roube outra vez/ Porque esta história não é uma história inventada, aconteceu mesmo.